#FLAGvox | Comunicar continua a ser uma das maiores ferramentas de progresso

Grande parte do progresso humano aconteceu porque conseguimos comunicar melhor, transmitir conhecimento, aproximar culturas, partilhar descoberta, coordenar pessoas e criar entendimento para lá das fronteiras físicas.
É fácil esquecermo-nos disso, num momento em que o debate parece dominado por polarização, desinformação e ruído permanente, oscilando entre o entusiasmo ingénuo e uma visão onde tudo parece inevitavelmente tóxico. Mas nunca tivemos também tantas possibilidades de democratizar acesso à informação e ampliar participação. E talvez seja precisamente por isso que o Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação (17 de maio) continua a fazer sentido.
Durante séculos, a informação circulava devagar e chegava a poucos, condicionada pela geografia, pela condição económica, pelo acesso à educação ou pela proximidade aos centros de poder. Hoje, uma ligação à internet pode aproximar uma pequena aldeia de uma universidade internacional, um freelancer português de clientes globais ou um autodidata de conhecimento que antes estava reservado a elites académicas.
As telecomunicações tornaram-se uma infraestrutura invisível da vida contemporânea, presentes na forma como aprendemos, trabalhamos, participamos no debate público, criamos negócios ou mantemos relações humanas. Basta imaginar o quotidiano sem elas para perceber o impacto que têm na nossa capacidade de viver em sociedade.
Esse impacto depende da forma como escolhemos utilizar a tecnologia e de quem consegue efetivamente ter acesso às ferramentas, ao conhecimento e às possibilidades que ela cria.
Uma sociedade mais conectada não é automaticamente uma sociedade mais justa. Contudo, uma sociedade onde mais pessoas conseguem aceder à informação, desenvolver competências e participar na conversa pública tem melhores condições para evoluir, com a redução de desigualdades económicas, culturais e democráticas.
E note-se que nunca tivemos tantas possibilidades de reduzir essas barreiras. A inteligência artificial começa a eliminar obstáculos linguísticos. O ensino online democratiza o acesso à aprendizagem. Pequenas empresas conseguem competir em mercados internacionais sem estruturas gigantescas. Equipas colaboram entre países diferentes com uma facilidade que seria impensável há poucas décadas. Cada vez que mais pessoas conseguem participar na conversa, aumentam também as possibilidades de inovação, entendimento e desenvolvimento coletivo.
O progresso depende sobretudo da nossa capacidade de usar essa conectividade para construir sociedades mais abertas, mais informadas e mais inclusivas. É por isso que a literacia digital se tornou tão importante quanto a própria conectividade. Mais do que garantir o acesso às redes, torna-se fundamental assegurar uma capacidade de participação. Com a certeza de que o verdadeiro avanço nunca foi ligar máquinas, antes aproximar pessoas.
Artigo de Opinião em: +M | Texto de: Gabriel Augusto











