ebook DP posthor blog MC #FLAGvox | Design de produtos e criação de valor de mercado

#FLAGvox | Design de produtos e criação de valor de mercado

No mercado competitivo de hoje, o design de produtos é um elemento importante que orienta as empresas rumo ao sucesso. Este artigo explora o processo de design de produtos, desde a conceção até ao lançamento, destacando como um bom design pode transformar ideias em soluções de mercado bem-sucedidas.

 

Num ambiente empresarial onde a competição é intensa e as tendências mudam rapidamente, o design de produtos tornou-se um pilar essencial de inovação. Não se trata apenas de criar algo visualmente atraente é a prática de desenvolver soluções que atendem às necessidades do mercado e superam as expectativas dos consumidores. Neste contexto, a criação de valor é o motor que impulsiona qualquer negócio em direção ao sucesso.

O objetivo deste artigo é mostrar como o design de produtos contribui para a criação de valor de mercado. Vamos analisar o processo de design, identificar os seus elementos fundamentais e discutir o impacto na competitividade das empresas. Mais do que uma simples etapa do processo de produção, o design é uma ferramenta estratégica que pode determinar o destino de um produto.

O papel do design de produtos na criação de valor

O design de produtos é o processo de transformar ideias abstratas em algo tangível e funcional. Vai além da simples criação, sendo a ligação entre inovação e realidade de mercado. Um bom design capta a atenção pela sua aparência, mas conquista a lealdade dos utilizadores pela funcionalidade, ao satisfazer eficazmente as necessidades dos consumidores.

Tal como um relógio suíço combina precisão e estética, um design de produto bem-sucedido integra quatro elementos essenciais: estética, funcionalidade, usabilidade e inovação.

  • Estética: Um design visualmente agradável capta a atenção e desperta o interesse.
  • Funcionalidade: O produto deve cumprir eficientemente a sua função.
  • Usabilidade: O produto deve ser intuitivo e fácil de usar, proporcionando uma experiência positiva ao utilizador.
  • Inovação: O que distingue um produto é a sua capacidade de oferecer algo novo e diferente da concorrência.

 

Estes elementos, quando combinados, atraem consumidores e criam uma experiência de utilização que torna o produto indispensável para o cliente.

Processo de design e desenvolvimento de produtos

Antes de lançar um produto no mercado, é essencial realizar uma pesquisa e análise detalhada. Estes passos permitem às empresas identificar tendências, necessidades dos consumidores e oportunidades no mercado, possibilitando a criação de produtos que atendam às demandas atuais e antecipem futuras.

Sem uma pesquisa adequada, o esforço de design corre o risco de falhar. A análise de mercado assegura que o produto tenha um público-alvo claro e uma proposta de valor definida.

Após a fase de pesquisa, a prototipagem começa a dar forma à ideia. Um protótipo mostra a estrutura básica do produto, mas precisa de ser refinado através de testes rigorosos para garantir que todos os componentes funcionem harmoniosamente e que o produto final seja completo e confiável.

A prototipagem e os testes permitem ajustes necessários para evitar problemas durante o lançamento do produto. A iteração é essencial neste processo — refinando e melhorando o produto até que esteja pronto para o mercado.

O feedback dos clientes desempenha um papel crucial. Incorporá-lo no processo de design assegura que o produto evolua de acordo com as expectativas e necessidades dos utilizadores, aumentando o seu valor de mercado.

Casos de sucesso e impacto na competitividade

Exemplos de empresas como a Apple, que oferece experiências além dos dispositivos eletrónicos, e o Uber, que transformou o transporte urbano, mostram que o design de produtos vai além da estética; é uma estratégia empresarial que pode definir o sucesso de uma empresa.

Num mercado saturado, a diferenciação é fundamental. Um design eficaz permite que o produto se destaque entre os concorrentes, oferecendo algo visualmente atraente e funcionalmente superior.

A lealdade do cliente é essencial para o sucesso a longo prazo. Produtos bem projetados criam uma experiência de uso positiva que faz com que os clientes voltem repetidamente. A confiança construída por meio de um bom design leva a uma relação duradoura entre o cliente e a marca, resultando em compras repetidas e recomendações.

Este artigo mostrou como o design de produtos é fundamental para a criação de valor de mercado. Desde a estética até à funcionalidade e à inovação, o design desempenha um papel central no sucesso de qualquer produto no mercado competitivo de hoje.

O futuro do design de produtos será moldado por tendências como a sustentabilidade, a personalização e a integração de novas tecnologias, como a inteligência artificial. Estas tendências continuarão a influenciar a maneira como os produtos são concebidos e como criam valor no mercado.

Para maximizar o valor de mercado dos produtos, as empresas devem adotar uma abordagem centrada no utilizador, investir em pesquisa e desenvolvimento, e estar sempre abertas a iterações e feedback. Manter-se atualizado com as tendências de design e tecnologia é importante para se manter competitivo.

O design de produtos é uma peça-chave para o sucesso empresarial. À medida que o mercado evolui, o papel do design continuará a ser central na criação de valor e na construção de marcas fortes. Investir em design é, sem dúvida, investir no futuro do negócio.

 

Referências:

  • Norman, D. A. (2013). The Design of Everyday Things. Basic Books.
  • Brown, T. (2009). Change by Design: How Design Thinking Creates New Alternatives for Business and Society. HarperBusiness.
  • Ulrich, K. T., & Eppinger, S. D. (2015). Product Design and Development. McGraw-Hill Education.
  • Pine, B. J., & Gilmore, J. H. (2011). The Experience Economy: How to Use Customer Experience to Create Value. Harvard Business Review Press.
  • Luchs, M. G., Swan, K. S., & Griffin, A. (2016). Design Thinking: New Product Development Essentials from the PDMA. Wiley.
  • Kelley, T., & Kelley, D. (2013). Creative Confidence: Unleashing the Creative Potential Within Us All. Crown Business.
  • Kahn, K. B., & Barczak, G. (2006). The Effect of New Product Development Practices on Performance. Journal of Product Innovation Management, 23(2), 139-154.

 

 

Artigo de opinião escrito por Madalena Costa

Este artigo de opinião faz parte do eBook FLAG “Design em Perspetiva – As Múltiplas Facetas do Design” que reúne reflexões e ensaios de 14 profissionais que partilham as suas perspetivas sobre o papel do design na sociedade atual e futura.

Faz o download do eBook gratuito aqui.

ebook DP posthor blog LC #FLAGvox | A interseção entre design e conteúdo: Como o UX writing transforma a experiência do utilizador

#FLAGvox | A interseção entre design e conteúdo: Como o UX writing transforma a experiência do utilizador

No cruzamento entre o design e o UX writing, conseguimos criar uma experiência de utilizador verdadeiramente memorável.

 

Imagine uma interseção movimentada sem semáforos, onde vários veículos se aproximam de diferentes direções. Sem sinalização para indicar prioridade, os condutores precisam de colaborar e confiar uns nos outros para atravessar em segurança. Assim como na criação de experiências digitais, cada detalhe precisa ser cuidadosamente coordenado para evitar colisões na jornada do utilizador.

Este cenário ilustra o ponto de encontro entre o design e o conteúdo. Tal como os condutores, UX designers e UX writers devem colaborar estreitamente para alcançar um objetivo comum: aprimorar a experiência do utilizador.

Empatia: entender o utilizador

No Design Thinking, a primeira etapa é a empatia. Na nossa metáfora da interseção, empatia é como compreender as regras da estrada e os sinais dos outros condutores. No contexto do UX writing, isso significa fazer as perguntas certas:

  • Como é que os utilizadores descrevem o produto?
  • Estamos a comunicar na linguagem deles?
  • Onde é que a terminologia pode gerar confusão?

 

Podemos usar técnicas como a análise de comentários em redes sociais, fóruns, pedidos de suporte e avaliações online (conversation mining) para obter estas respostas. Se o produto ainda não existe, analisamos concorrentes ou produtos semelhantes.

Um exemplo de como pequenas mudanças na escrita podem ter um grande impacto é o caso da Google, que melhorou os resultados em 17% ao mudar “Reserve um quarto” para “Verificar disponibilidade”, reduzindo a ansiedade do utilizador que ainda não queria comprometer-se com uma reserva.

É crucial alinhar o conteúdo que criamos com as expectativas dos utilizadores, tal como é fundamental que todos na interseção compreendam as regras básicas de condução. Por exemplo, ao ver um botão etiquetado como “Próximo”, o utilizador espera mais etapas. Falhar em atender a essa expectativa pode gerar frustração.

Definição: delimitar o problema

Após a empatia, precisamos definir o problema de design – ou, no nosso caso, o problema de comunicação.

Qual é o problema real que precisamos resolver? Será que os nossos utilizadores não conhecem as regras, há alguma palavra ambígua, ou existe excesso de informação que os leva a perderem-se no processo?

Definir o problema claramente permite-nos traçar um caminho eficaz, evitando sobrecarga informativa e usando divulgação progressiva para apresentar apenas a informação necessária no momento certo.

Ao contrário do que se possa pensar, um UX writer não se limita a criar textos, mas também define onde o conteúdo será implementado e como ele se alinha com o restante da interface, garantindo uma experiência integrada e sem falhas.

Ideação: gerar soluções criativas

Na fase de ideação, exploramos todas as soluções possíveis, tal como um condutor considera várias rotas para chegar ao destino, analisando os prós e contras de cada caminho.

Para um UX writer, isso significa pensar em diferentes maneiras de organizar a informação, utilizando técnicas como arquitetura de informação e taxonomias para categorizar o conteúdo de forma que faça sentido para o utilizador.

Nesta fase, é essencial garantir que o conteúdo seja claro, coeso e consistente ao longo de toda a experiência do utilizador – os três pilares fundamentais do design de conteúdo.

Prototipagem: testar o conteúdo

A prototipagem é como ensaiar a condução numa rota escolhida antes de enfrentar o trânsito real. No UX writing, isso envolve colaborar com os designers para inserir o conteúdo numa wireframe ou protótipo de interface, permitindo visualizar como o texto interage com o design.

Por exemplo, ao testar diferentes versões de uma mensagem de erro, podemos avaliar qual delas orienta melhor o utilizador a corrigir o problema sem gerar frustração.

Além disso, é nesta fase que avaliamos a eficácia das instruções e ajudas contextuais, assegurando que os utilizadores recebem o suporte necessário exatamente no momento em que precisam.

Testes e implementação: validar a experiência

Finalmente, chegamos à fase de testes, onde validamos o conteúdo com utilizadores reais. Perguntamos se a informação foi clara, se as expectativas foram atendidas e identificamos áreas de melhoria.

Devemos sempre lembrar que a implementação do design final não é o nosso último passo; há sempre espaço para melhorar. A pesquisa periódica com os utilizadores é essencial para ajustar o conteúdo e melhorar a experiência como um todo.

Confiança no processo e na colaboração

Assim como numa interseção sem semáforos, onde todos precisam confiar nas habilidades uns dos outros para garantir uma travessia segura, no UX writing e design, é fundamental confiar no processo de Design Thinking e na colaboração contínua entre os profissionais.

No mundo do UX, cada decisão de design ou de escrita impacta diretamente a experiência do utilizador. Colaborar desde o início e seguir todas as etapas com diligência é a chave para criar produtos digitais que atendem e superam as expectativas dos utilizadores.

 

Artigo de opinião escrito por Liudmila Cernat.

Este artigo de opinião faz parte do eBook FLAG “Design em Perspetiva – As Múltiplas Facetas do Design” que reúne reflexões e ensaios de 14 profissionais que partilham as suas perspetivas sobre o papel do design na sociedade atual e futura.

Faz o download do eBook gratuito aqui.

ebook DP posthor eBook FLAG | Design em Perspetiva – As Múltiplas Facetas do Design

eBook FLAG | Design em Perspetiva – As Múltiplas Facetas do Design

“Design em Perspetiva – As Múltiplas Facetas do Design”, é o mais recente eBook da FLAG, que foi desenvolvido com o objetivo de explorar o mundo dinâmico do design, reunindo reflexões e ensaios de 14 profissionais de renome que partilham as suas perspetivas sobre o papel do design na sociedade atual e futura.

Num contexto em que o design assume um papel cada vez mais relevante na transformação da nossa sociedade, este ebook oferece uma visão abrangente sobre as tendências atuais e futuras do setor. Desde a interseção entre o design e a tecnologia, até às reflexões sobre responsabilidade social, o eBook “Design em Perspetiva – As Múltiplas Facetas do Design” é um convite à reflexão sobre a forma como o design está a moldar o mundo ao nosso redor e sobre como podemos usar o design para criar um impacto verdadeiramente positivo.

O que vais encontrar no eBook:

  • Ensaios inspiradores sobre o impacto do design na vida quotidiana e nas indústrias emergentes;
  • Reflexões sobre o papel do designer no contexto digital e tecnológico;
  • Tendências futuras e o impacto do design sustentável;
  • Inovações em UX, IA e design de produtos.


Este eBook é para ti se:

  • Trabalhas ou és estudante nas áreas de design, marketing digital ou novas tecnologias;
  • Procuras inspiração e ideias inovadoras para aplicar no teu trabalho;
  • Queres estar a par das tendências que vão definir o futuro do design.

 

Acede ao eBook gratuito aqui e mergulha no universo fascinante do design!

 

Assiste também à #FLAGtalks “Design em Perspetiva” que se realizou no 20 de novembro às 18h30 com transmissão online e em direto e assistência ao vivo em Lisboa.

 

AO blog post hor CC #FLAGvox | Tendências de Recursos Humanos para 2025

#FLAGvox | Tendências de Recursos Humanos para 2025

Com 2025 à porta, as organizações devem preparar-se para os desafios futuros, ajustando as suas estratégias para se manterem competitivas. Os Recursos Humanos (RH) assumem aqui um papel central, assegurando que o capital humano está alinhado com os objetivos empresariais. Mais do que gerir talentos, trata-se de construir equipas ágeis e preparadas para um futuro marcado pela inovação e pela responsabilidade social.

 

As tendências que moldarão os RH em 2025 já estão em curso. A pandemia acelerou a mudança nas expectativas dos colaboradores e o foco das empresas no bem-estar, sustentabilidade e responsabilidade social. Em 2025, veremos a consolidação destas práticas, com a generalização dos modelos híbridos ou remotos, e mais experiências relacionadas com aumento de períodos de descanso e a semana de quatro dias. O grande desafio será manter a cultura organizacional, mesmo com equipas dispersas.

A Sustentabilidade será outra tendência-chave, indo além das questões ambientais, para abranger práticas éticas e socialmente responsáveis. Organizações com políticas de sustentabilidade terão vantagem competitiva, destacando-se na atração de talentos e na reputação de mercado.

A Inteligência Artificial (IA) continuará a transformar os processos de RH, com a automação de tarefas e a análise preditiva de dados a tornarem-se ferramentas essenciais. A IA permitirá uma gestão mais estratégica, focada no desenvolvimento humano e na inovação.

A Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) será também um tema central. Criar ambientes inclusivos é não só um imperativo social, mas também uma estratégia de negócio eficaz. Estudos da McKinsey & Company mostram que empresas com políticas inclusivas têm melhores resultados financeiros e maior retenção de talentos, reforçando a sua reputação junto de clientes.

Para serem estratégicos em 2025, os RH devem integrar estas tendências nas suas políticas, garantindo não só a produtividade, mas também o bem-estar dos colaboradores. O sucesso das organizações dependerá da capacidade de equilibrar a inovação tecnológica com a gestão do capital humano, assegurando que ambos trabalham em harmonia para o crescimento sustentável.

“O sucesso de uma organização resulta do equilíbrio entre tecnologia e capital humano aliado à inovação e bem-estar”.

 

Artigo de opinião escrito por Patrícia Lima (Head of Human Resouces da Rumos Training)

Este artigo de opinião faz parte do eBook de Recursos Humanos – Tendências e Oportunidades para 2025, publicado pela Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa.

Faz o download do eBook gratuito aqui.

ebook DP posthor blog KM #FLAGvox | Não, não fazemos só os bonecos!

#FLAGvox | Não, não fazemos só os bonecos!

Penso que é um sentimento comum a todos os designers, quando ouvimos a frase, agora é com vocês, “Os designers são os que fazem os bonecos!”
Bastante redutor certo?

 

Sabemos que nós designers, fazemos muito mais do que isso. Mas como mostrar o nosso valor? Não é fácil… mas é possível.

Quando fui convidada para criar uma equipa de design numa empresa orientada  à engenharia, não sabia que estava a embarcar para uma jornada cheia de desafios, mas também de muitas aprendizagens e muitas conquistas.

O mundo de uma organização orientada à engenharia é dinâmico e competitivo e o design é frequentemente subestimado, considerado frequentemente como um toque final estético e sem importância estratégica. No entanto, nós sabemos que podemos dar muito mais..

Para mudarmos a forma como nos percecionam temos que primeiro entender que problemas temos de enfrentar. Seguem alguns exemplos de desafios que encontrei pelo caminho.

  • Existe pouco investimento tanto financeiro como estratégico para promover o design e os recursos são mínimos e experimentais;
  • A falta de investimento advém da pouca divulgação sobre o papel do designer e da pouca inclusão das atividades de design nos projetos;
  • Falta de gestão de design ou agente representante do design na organização;
  • Falta de comunicação entre as equipas e departamentos.

 

Como podemos contornas estes desafios? Não existe uma receita, mas existem alguns comportamentos ou iniciativas que podem ajudar a mudar a perceção do valor do design.

Primeiro passo é definir um responsável pelo design. Convenientemente alguém da área do design, alguém que já tem experiência em vários projetos de design e alguém que tem o gosto pela gestão de equipa. Essa pessoa será o gestor(a) da área de design e irá dar o corpo às balas pela sua equipa. Espera-se dessa pessoa:

  • Criar os alicerces da equipa, missão, visão e objetivos;
  • Construir uma o plano de carreira dos designers da sua equipa;
  • Planear as atividades de design, distribuir e apoiar os projetos de design;
  • Divulgar, estruturar e comunicar a área de design.

 

O gestor da área de design constrói os alicerces da equipa e garante a boa comunicação e continuação entre as equipas e departamentos. É a cara da equipa e deve ser a voz da mesma entre os departamentos da organização.

Falando em comunicação… A falta ou má comunicação entre o que é esperado de cada equipa ou departamento é muitas vezes uma barreira. Mas como qualquer problema, pode-se tornar numa oportunidade. Neste caso uma oportunidade para aumentar a visibilidade e valor desta área.

Será importante é criar as pontes entre as ilhas, ilhas estas que refiro como departamentos e equipas. Através da interação entre as equipas de engenheiros, gestores, gestores de conta, clientes e designers se poderá reduzir as diferenças e problemas de comunicação entre estas duas equipas. Conhecer as limitações, mas também os benefícios de todas as partes, ajuda a ter a noção das melhores formas de trabalhar em conjunto.

Apostar na divulgação dos projetos a decorrer da equipa de design e partilhar as conquistas da equipa, irão também ajudar a melhorar a comunicação. Ao criar uma maior visibilidade da equipa estaremos a:

  • Aumentar a cultura do design internamente e externamente;
  • Aumentar a maturidade do design internamente;
  • Melhorar introdução das atividades de design nos projetos.

 

Todos os envolvidos e em contacto com os designers podem tornar-se aliados… mas existe um grupo na organização que poderão ser aliados preciosos. Os membros da organização que estão no topo da hierarquia poderão ser os principais propulsionadores da área, poderão fornecer recursos e os contactos certos para fazer arrancar a estrutura de design. Ter o apoio e reconhecimento do valor por parte desta equipa, irá acelerar o processo de criação e a boa sustentabilidade da equipa de design interna.

Os departamentos de Marketing e a própria equipa de vendas ou gestores de contas, podem ajudar também a expor o valor do design nos projetos alargando a toda a organização.

A apresentação de casos bem-sucedidos da equipa de design onde se exibe o benefício de integrar o design, tais como poupança de tempo de desenvolvimento, poupança de recursos, garantia de qualidade, visão geral dos requisitos e o seu contributo estratégico e de inovação serão um modo de conscientizar a organização pelo valor do design.

Mas nem tudo se baseia só numa boa comunicação ou competências de diálogo entre equipas…

Tudo o que é gerido deve ser medido, logo o design ou o impacto do design nos projetos deve ser medido também. Partilhar números, KPI’s do impacto do design na organização irá ser um bom condutor e valorizador do design.

A obtenção de métricas vai proporcionar à equipa de design expor através de números o impacto da sua participação nos projetos. Medir a o retorno de investimento do design, medir a performance, medir a satisfação dos clientes ou utilizadores soará música nos ouvidos na gestão de topo da organização.

Documentar meticulosamente cada etapa do processo de design também ajudará a percecionar o valor e impacto do design. Criar relatórios detalhados que explicam o raciocínio por trás das escolhas de design, fornecer a visão clara e fundamentada do trabalho realizado ajuda no processo. A documentação não apenas clarifica as decisões da equipa de design, mas também mostra a profundidade e a importância do design estratégico.

O meu esforço como promotora do design na empresa teve vários resultados, tais como: a equipa de design passou a ser solicitada mais vezes para participar em mais projetos importantes iniciando-se logo no início do projeto e não só no fim. O design ganhou mais integração como um elemento estratégico do desenvolvimento de produtos. Mais presenças em propostas comerciais em clientes e participação em workshops para geração de novas ideias. A equipa de design começou a crescer rapidamente e os clientes ficaram também mais satisfeitos com os seus produtos.

O design passou a ser mais valorizado e integrado em todas as fases do desenvolvimento dos projetos e serviços, através de persistência na gestão, comunicação e medição do design.

Em suma, o design pode ser um elemento transformador em qualquer organização, desde que seja devidamente compreendido e valorizado. O valor aumenta se existir um nível de cooperação alto entre as várias equipas nos projetos.

É nesse processo de envolvência que os stakeholders presentes nos projetos tomam a consciência dos benefícios e vantagens de trabalhar com uma equipa de design. Quanto maior é a cooperação e inclusão da equipa de design no desenvolvimento de produtos e serviços, maior é a sua expansão dentro da organização. Esse crescimento, permitirá a possibilidade de implementar os processos e métodos mais comuns do design, como por exemplo o Design Thinking pelos vários projetos da organização.

Portanto, da próxima vez que alguém disser que só fazemos “desenhos”, vejam isso como uma oportunidade para mudar a perceção dos outros sobre o nosso trabalho como designers.

 

Artigo de opinião escrito por Kátia Marques

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ebook DP posthor blog JR #FLAGvox | Carreira em Design: Horizontes para os Profissionais da Área

#FLAGvox | Carreira em Design: Horizontes para os Profissionais da Área

O campo do design é vasto e multifacetado, refletindo a evolução constante da sociedade e das novas tecnologias. Profissionais da área de design não apenas criam soluções estéticas e funcionais, mas também moldam a forma como interagimos com o mundo ao nosso redor. Com a evolução das tecnologias e a crescente exigência por inovação, a carreira em design oferece uma ampla gama de horizontes e oportunidades.

 

Uma formação contínua é fundamental porque o campo do design está em constante evolução, impulsionado por novas tecnologias, tendências culturais e mudanças nas necessidades do consumidor. Profissionais com sucesso são aqueles que se conseguem adaptar a estas mudanças, melhorando habilidades e conhecimentos ao longo do tempo.

A aprendizagem ao longo da vida permite que os designers se mantenham atualizados com as novas ferramentas, metodologias e práticas. Cursos de especialização, workshops, webinars, etc.  A capacidade de aprender e se adaptar é uma vantagem competitiva crucial no mundo do design.

É necessário também a meu ver, uma combinação de competências técnicas e interpessoais.  As competências técnicas incluem o domínio de ferramentas de design gráfico, como Adobe Creative Suite, software de modelagem 3D, e habilidades de prototipagem e wireframing

Além das habilidades técnicas, as competências interpessoais são essenciais para se comunicar ideias de forma clara e persuasiva, colaborar com equipes multidisciplinares e gerenciar projetos de forma eficaz são aspectos cruciais desta profissão.

Os designers têm também a opção de seguir carreiras tradicionais em empresas ou optar pelo trabalho freelance. Carreiras tradicionais frequentemente oferecem estabilidade, oportunidades de crescimento e benefícios corporativos. No entanto, o trabalho freelance proporciona flexibilidade e a possibilidade de trabalhar em projetos variados, muitas vezes permitindo um controle maior sobre o próprio trabalho e a criação de uma marca pessoal.

O networking é também vital. Participar em eventos, colaborar em projetos conjuntos e conectar-se com outros profissionais pode abrir portas para novas oportunidades e parcerias, acesso a mentores e conselhos valiosos, o que pode acelerar o crescimento profissional.

Muitos designers estão criando suas próprias startups, oferecendo consultoria independente ou desenvolvendo produtos e serviços inovadores. O espírito empreendedor permite uma transformação de  ideias em realidades, explorando novos mercados e criando soluções únicas.

Com o avanço da tecnologia, surgem novas áreas como o design de interfaces para dispositivos móveis, e design de produtos digitais inovadores. A crescente preocupação com a sustentabilidade também abre portas para designers especializados em design ecológico e soluções sustentáveis.

O design está em ligação atual com a ciência de dados, inteligência artificial e até mesmo a medicina. Designers que entendem estas áreas podem contribuir para o desenvolvimento de soluções inovadoras em uma variedade de setores.

A ligação entre design e a área da Web3 é fundamental e desempenha um papel crucial no desenvolvimento e na aceitação das novas tecnologias descentralizadas.
Experiência do Usuário (UX), um bom design pode simplificar essas interações, tornando-as mais intuitivas e acessíveis, tornando as interfaces funcionais e amigáveis.
Considerar a acessibilidade desde o início pode ajudar a criar soluções mais amplamente utilizáveis e inclusivas.

Como conclusão quero deixar um breve resumo sobre o que penso da carreira de design na atualidade: Esta pode ser rica e diversificada, com uma ampla gama de oportunidades e desafios. A formação contínua é crucial, o networking e o empreendedorismo são também importantes para impulsionar o sucesso nesta área, assim como a adaptação do design em áreas como a WEB 3, onde a saída está a tornar-se cada vez mais apelativa!

 

Artigo de opinião escrito por José Paulo Reis

Este artigo de opinião faz parte do eBook FLAG “Design em Perspetiva – As Múltiplas Facetas do Design” que reúne reflexões e ensaios de 14 profissionais que partilham as suas perspetivas sobre o papel do design na sociedade atual e futura.

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ebook DP posthor blog FT #FLAGvox | GenX, GenZ, GenAI

#FLAGvox | GenX, GenZ, GenAI

A história humana está infinitamente carregada de registos de grandes evoluções sociais, económicas e, culturais.
Não é difícil perceber como os avanços na tecnologia foram promotores de grandes revoluções nas nossas vidas, bem como isso nem sempre foi uma transição pacífica e quase sempre disruptiva.

 

De momento, temos em mãos possivelmente a maior revolução (ou início dela) de que há registo. E creio também que se comete a falácia de a comparar à Revolução Industrial – embora entenda, pois é a nossa única base de referência.

Mas passo a explicar: na prévia deixámos de ter carroças para ter máquinas a vapor. E isso não só melhorou a produtividade, mas também gerou novas necessidades e funções. Surgiu a necessidade de ter pessoas para as usar, manter, engenheiros para as optimizar e inovar, e pessoas para formar todas as ditas, O mesmo na revolução informática. Construíram-se ferramentas melhores.

A falácia, creio, encontra-se quando não se atende ao facto de que neste caso, a ferramenta está a ser desenvolvida gradualmente para ela própria ser também o próprio trabalhador, e eventualmente substituí-lo. Isto é algo facilmente conferível observando as entrevistas e manifestos dos que encabeçam o seu desenvolvimento.

Se eu acho que o vai fazer? Não… Não totalmente. Mas definitivamente está a modificar a paisagem laboral e a própria relação dos humanos com o trabalho. Importante não esquecer que esta por sua vez também se alterou muito com o push informático durante a pandemia e de como esta trouxe à luz o facto de como o trabalho já não necessita de ser, na sua maioria, localizado ou centralizado.

No caso das artes gráficas, percepciono que o volume principal das ferramentas que existem são meramente versões polidas da velha piada de “botão para arte boa”, que dizíamos tanto, quando jocosamente comentávamos mais um leque de alterações por parte do cliente ou do director de arte. Mas estas estão cada vez mais a especializar-se e a ser desenvolvidas para complementar pipelines de produção. Features convergem e estandardizam-se. Case studies são levados cada vez mais a sério, e vive-se uma autêntica corrida às armas no que toca a AI.
Olhando com atenção, neste caso específico, com o Firefly da Adobe, podemos notar que o trabalho edição de imagem que demoraria vários dias a fazer com fotógrafos, compositores, etc, passa a ser feito numa manhã ou algumas horas. Os próprios mockups podem ser feitos já em qualidade final, o que agiliza a visualização por parte do cliente que muitas vezes não tem a biblioteca mental que um Designer, um artista gráfico, ou fotógrafo, possuem.

Muitas entidades no largo espectro da indústria audiovisual estão a optar por não usar estas ferramentas, mas mais pelas questões de privacidade e de direitos de autor ainda não estarem devidamente enquadradas legalmente. Mas a Caixa de Pandora foi aberta e tudo indica que vão passar a ser ferramentas obrigatórias no léxico profissional quotidiano… Produtividade acelerada e eficiente sempre foi o que os líderes de todas as indústrias almejam. Mas fico contente por perceberem que ainda não é uma solução integral, e que realmente o factor humano é imprescindível. Há casos documentados de empresas que decidiram substituir as suas equipas criativas por Prompt Engineers, para poucos meses depois as recontratar de novo. A nossa criatividade pessoal, leque de experiências e capacidades de adaptação continuam a ditar os motes da nossa sobrevivência como espécie, tanto agora, como há milhões de anos.

E com isto, notamos que existe muito trabalho que começa necessitar de muito menos massa humana (algo que admito já estar a acontecer há pelo menos duas décadas, com uma crescente massa populacional não-empregável).
Efectivamente em áreas específicas está a ocorrer uma substituição em massa. Podemos notar como várias equipas de copyrighters passam a ser equipas de uma pessoa, caixas e lojas completamente automatizadas, veículos auto-dirigíveis que passaram a ser os táxis oficiais em alguns países, fábricas de veículos automóveis na China e US (entre outros), com equipas de andróides autómatos (semelhantes aos desenvolvidos pela Boston Dynamics ou a Tesla), a substituírem algumas dezenas de humanos para serem supervisionadas só por um, etc.

Chegámos à era dos ciborgues, mas em vez do tio Arnold com o seu impressionante endoesqueleto de metal e CPU como cérebro, encontramos profissionais das àreas tecnológicas com wearable tech e muita augmentação à mistura.

Sou uma criança dos anos 80, recordo-me quando os tablets eram apenas um acessório fantasioso na série Star Trek: Next Generation, quando todos ficámos boquiabertos por os jogos saltarem da tecnologia de 8 bits para 16; e toda a tecnologia que se encontrava num estúdio ou atelier, está actualmente presente dentro do meu bolso, num já desactualizado Samsung Galaxy S22 Ultra.

A democratização da tecnologia entrou para ficar nas nossas vidas… Mas cabe-nos a nós entender como melhor a utilizar.

 

Artigo de opinião escrito por Filipe Teixeira

Este artigo de opinião faz parte do eBook FLAG “Design em Perspetiva – As Múltiplas Facetas do Design” que reúne reflexões e ensaios de 14 profissionais que partilham as suas perspetivas sobre o papel do design na sociedade atual e futura.

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ebook DP posthor blog EV #FLAGvox | Designer, o super manipulador

#FLAGvox | Designer, o super manipulador

Começar com este título faz-me sentir badass. O verdadeiro puppet master, génio da estratégia que mexe os cordelinhos para que os seus objetivos sejam atingidos. Um supervilão de BD que usa a manipulação como principal ferramenta para conquistar o mundo. Mas na verdade não é bem assim. E tal com “a Força” no Star Wars, a manipulação é um superpoder que tem um lado negro mas também um lado bom, e é nesse que o design(er) se deverá manter.

 

Uma peça de design invariavelmente desperta emoções e despoleta ações. Marcas bem pensadas e com identidades corretamente direcionadas ao seu público-alvo criam sensações de afinidade e alinhamento, resultando assim em relações potencialmente duradouras entre ambos. Um e-commerce bem desenhado dá-nos vontade de comprar o produto anunciado, sendo o resultado pretendido a sua compra. Uma campanha com um propósito ativista pode-nos fazer sentir solidário ou até mesmo “revoltado”, mas o objetivo final e ação esperada será a que nos juntemos ao movimento.

Com isto, vemos a força de influência que o design pode ter nestas formas de comunicação.

Mas como conseguimos a eficácia “do nosso design”?

Tudo se resume à experiência que as pessoas terão a interagir com o produto que estamos a desenvolver. Ter o foco de como vamos dirigi-las até lá, da forma mais simples e direta para si, será fundamental nas nossas tomadas de decisão ao longo do projeto.

Como tal, é preciso conhecer bem as pessoas que vão interagir com o resultado final do projeto que estamos a desenvolver, seja ele um site, uma marca ou um qualquer outro produto de design.

  • Que problema / necessidade as levará a utilizar o nosso produto,
  • Com que objetivos o farão,
  • De que forma as suas vidas poderão ficar melhor após essa interação.

 

Mas para além disso, devemos tentar perceber o máximo possível sobre elas. Muitas vezes dados não diretamente relacionados com o problema que estamos a tentar resolver podem dar-nos visões interessantes sobre as pessoas e interferir positivamente na solução.

Porque na verdade, o designer não cria experiências. Tenta sim dar pistas para que a pessoa que usa “o produto” crie por si essa experiência durante a interação.

As “guias” que o designer irá criar no produto para a sua utilização ou compreensão,  deverão ser completamente alinhadas com o perfil da pessoa-alvo, caso contrário, falhará. Por exemplo, um produto “simples” de usar, pensado para alguém com menos literacia digital, pode-se tornar demasiado simplista, pouco desafiante ou até ineficiente para alguém com mais destreza em plataformas digitais. Ou seja, cabe ao designer proporcionar condições para que a pessoa tenha a melhor experiência possível. Que lhe permita atingir os seus objetivos de interação da forma mais adequada possível – para si.

E é dessa manipulação que falo. A capacidade de perceber as pessoas para quem se desenha, interpretá-las e aos seus objetivos e projetar de que forma o poderão usar. E então, desenhar o produto para que elas o possam usar da forma mais eficaz possível. Que as leve “lá”, muitas vezes sem darem conta, mas que as faça sentirem-se realizadas por terem conseguido completar o seu objetivo.

Mas, como já dizia o tio do Peter Parker “com grande poder, vem grande responsabilidade”. E pode ser fácil cair na tentação de usar este super poder para influenciar as pessoas a fazer o que queremos – e na verdade, é parte da intenção. Mas devemos ter sempre a preocupação de usar este super poder do design “para o bem”. Em termos éticos, devemos ser responsáveis por ajudar as pessoas a atingir objetivos que, de alguma forma, contribuam positivamente para as suas vidas. Se queremos criar relações duradouras entre marcas e pessoas, precisamos garantir que essas relações sejam construídas em confiança e respeito mútuo.

Por exemplo, um site de e-commerce bem desenhado pode ser irresistível para um consumidor, mas se for construído com práticas desonestas, como dark patterns (padrões de design que enganam o utilizador), esse sucesso será de curta duração. Os dark patterns são como o lado negro da manipulação – ferramentas que podem levar a conversões no imediato, mas que corroem a confiança e a lealdade a longo prazo. Um exemplo clássico são os botões de “aceitar” e “recusar” cookies, onde o botão “aceitar” é propositadamente mais visível ou fácil de clicar. Isso pode até funcionar no imediato, mas as pessoas sairão dessa experiência com uma má imagem.

Então, como podemos manipular de maneira ética e positiva? 

Acima de tudo, desenhar com o foco em efetivamente querer resolver as necessidades das pessoas. Recorrer, por exemplo, ao storytelling com uma mensagem honesta e clara, para que no fim a marca ou produto possa ter um impacto positivo na vida das pessoas.

Num layout, criar hierarquias para as mensagens importantes. Usar elementos que chamem a atenção, como microinterações ou animações, para as informações ou ações que vão permitir à pessoa rapidamente fazer aquilo que precisa. Ou seja, direcionar a pessoa de uma forma sincera para que consiga cumprir os seus objetivos o melhor possível.

No fim de contas, nós designers somos, sim, manipuladores. Mas não uns quaisquer – somos aqueles que, em vez de controlar, preferem guiar de uma forma subtil, quase invisível. Usamos os nossos Jedi mind tricks  para resolver problemas e, com sorte, tornar o mundo um bocadinho melhor, uma experiência de cada vez. Somos aqueles que estão por trás de cada marca ou website a mexer os cordelinhos, com todo o cuidado e carinho.

Na verdade, o que queremos mesmo é que seja feliz, alcançando os seus objetivos – e, se tudo correr bem, ainda nos agradece por isso.

 

Artigo de opinião escrito por Emídio Vidal

Este artigo de opinião faz parte do eBook FLAG “Design em Perspetiva – As Múltiplas Facetas do Design” que reúne reflexões e ensaios de 14 profissionais que partilham as suas perspetivas sobre o papel do design na sociedade atual e futura.

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ebook DP posthor blog EA #FLAGvox | Das Grutas de Lascaux à Inteligência Artificial: Como chegámos aqui?

#FLAGvox | Das Grutas de Lascaux à Inteligência Artificial: Como chegámos aqui?

A viagem do Design, desde as primitivas representações nas grutas de Lascaux até ao uso avançado da Inteligência Artificial nos dias de hoje, é uma história sumarenta de evolução artística, tecnológica, política e filosófica. Este percurso reflete a capacidade humana de transformar ideias em expressões visuais que não só comunicam, mas também moldam o pensamento e a cultura da Humanidade.

 

As pinturas rupestres nas grutas de Lascaux, datadas com 17.000 anos de existência, representam alguns dos primeiros exemplos de Design e expressão artística. Estas imagens, que retratam animais e figuras humanas, não eram apenas manifestações criativas, mas também uma forma de comunicação e narrativa visual. Estes primeiros artistas usavam pigmentos naturais e técnicas rudimentares para capturar o mundo que os rodeava, dando início à fabulosa história do Design como uma ferramenta para contar histórias e registar a experiência humana.

Com o passar dos séculos, a Arte e o Design evoluíram em resposta às mudanças sociais, culturais e políticas. Durante o Renascimento, Leonardo da Vinci ou Michelangelo exploraram novas técnicas de perspetiva e anatomia, redefinindo o design como um estudo do mundo natural e da figura humana. Este período marcou o início de uma era onde a Arte e a Ciência começaram a convergir, lançando as bases para o Design moderno.

No entanto, foi com a Revolução Industrial, no século XVIII, que o Design começou a tomar uma forma mais definida como disciplina. A mecanização e a produção em massa criaram a necessidade de um design que fosse funcional e estético, ao mesmo tempo que atendesse às exigências da nova economia industrial. Este período viu o nascimento do Design Gráfico, com o desenvolvimento de novos tipos tipográficos, técnicas de impressão, e do design de produto, focado na criação de objetos utilitários que todos poderiam usar.

À medida que o século XX avançava, movimentos artísticos como o Modernismo, o Brutalismo e a Bauhaus revolucionaram o design ao defender a ideia de que “a forma segue a função”. Artistas e designers como Walter Gropius, Le Corbusier e Mies van der Rohe promoveram a simplicidade, a funcionalidade e a rejeição do ornamento excessivo, princípios que continuam a influenciar o design até hoje.

Com o advento do digital, o design entrou numa nova era. As décadas de 1980 e 1990 trouxeram o desenvolvimento de ferramentas digitais como o Adobe Photoshop e o Adobe Illustrator, que revolucionaram a forma como os designers criavam e manipulavam imagens. A transição do analógico para o digital permitiu uma maior precisão, flexibilidade e rapidez no processo de design, tornando possível a criação de gráficos complexos e layouts detalhados com facilidade.

Nas últimas décadas, a inteligência artificial (IA) emergiu como a próxima grande fronteira no Design. Ferramentas de IA, como geradores de arte e sistemas de design assistido, estão a redefinir o papel do designer. Algoritmos de machine learning podem agora analisar grandes volumes de dados e gerar designs personalizados que atendem às necessidades específicas dos utilizadores. Esta tecnologia não só aumenta a eficiência, mas também abre novas possibilidades criativas, permitindo a exploração de estilos e soluções que seriam impossíveis de alcançar de forma manual.

Um exemplo notável é o uso de redes neurais generativas (GANs) na criação de arte e design. Artistas e designers podem agora colaborar com máquinas para explorar novas estéticas e criar obras que misturam a criatividade humana com a capacidade computacional. No entanto, este avanço também levanta questões filosóficas e éticas sobre o papel do criador no processo de design e os limites entre a criatividade humana e a artificial.

Ao longo da história, o design também tem sido profundamente influenciado por correntes filosóficas e políticas. O movimento Arts and Crafts, liderado por William Morris no final do século XIX, surgiu como uma reação à industrialização desenfreada, defendendo a autenticidade, a qualidade artesanal e a integração da arte na vida quotidiana. Este movimento marcou o início de uma reflexão mais profunda sobre o impacto social e ético do Design, questões que continuam a ser relevantes hoje.

No século XX, o design tornou-se um campo de batalha para ideologias políticas. Na União Soviética, o Construtivismo usou o Design como uma ferramenta de propaganda, enquanto na Alemanha nazi, a estética do Design foi manipulada para promover a ideologia do regime. Estes exemplos mostram como o design pode ser usado tanto para inspirar como para oprimir, refletindo as tensões políticas e sociais da época.

Na atualidade, a sustentabilidade e a responsabilidade social emergem como os novos desafios do design. Designers como Victor Papanek, autor de “Design for the Real World” defendeu um design responsável e sustentável, permitindo inspirar gerações a repensar o impacto ambiental e social das suas criações. Hoje, o design sustentável não é apenas uma tendência, mas uma necessidade, com os designers a procurar soluções que minimizem o impacto ambiental e promovam a equidade social.

Desde as primeiras representações nas grutas de Lascaux até à inteligência artificial, a história do Design é uma narrativa de constante evolução, moldada por movimentos artísticos, avanços tecnológicos, e mudanças políticas e filosóficas. Cada etapa deste caminho fez com que o Design seja uma trave-mestra do desenvolvimento da Humanindade.

Mas nunca esquecer: o Design, em todas as suas formas, deve sempre servir as necessidades humanas.

A história do Design não é apenas uma timeline de estilos e técnicas, mas sim uma reflexão contínua sobre quem somos e o que queremos alcançar.

 

Artigo de opinião escrito por Eduardo Antunes

Este artigo de opinião faz parte do eBook FLAG “Design em Perspetiva – As Múltiplas Facetas do Design” que reúne reflexões e ensaios de 14 profissionais que partilham as suas perspetivas sobre o papel do design na sociedade atual e futura.

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ebook DP posthor blog GA #FLAGvox | Do Visual ao Estratégico: Como o Design se Mantém Centrado nas Pessoas

#FLAGvox | Do Visual ao Estratégico: Como o Design se Mantém Centrado nas Pessoas

O design não é apenas aquilo que vemos, mas também como interagimos com o mundo à nossa volta. Desde o ecrã do smartphone até às estratégias empresariais, o design transformou-se e continua a evoluir, sempre centrado nas pessoas. Ao longo do tempo, as várias esferas do design expandiram-se, mas mantêm um princípio comum: melhorar a vida das pessoas, seja através da funcionalidade, da estética ou da experiência.

 

Se no início o design era visto principalmente como visual, hoje compreendemos que todas as suas vertentes – do gráfico ao de interação, do industrial ao estratégico – estão interligadas e partilham este mesmo objetivo. O design gráfico, embora focado no visual, continua a desempenhar um papel essencial no design de interação, onde a interface de utilizador deve ser tanto funcional como estética. O design thinking, uma metodologia focada na resolução de problemas complexos com empatia e experimentação, vai além do visual para se aplicar ao desenvolvimento de produtos, serviços e estratégias empresariais. Todas as áreas do design fazem parte de uma abordagem holística, onde a compreensão das necessidades humanas é o fio condutor.

Ao reconhecer estas interligações, os designers conseguem abordar os seus projetos de forma mais integrada. Um designer gráfico que se envolve no desenvolvimento de interfaces digitais traz consigo uma base importante sobre como o visual comunica com o público. Da mesma forma, designers de interação que incorporam elementos de design gráfico ou industrial criam soluções mais completas e eficazes.

Um exemplo desta interligação é a evolução do UX e UI design. Os produtos da Apple são conhecidos pela sua estética apelativa e funcionalidade intuitiva. Steve Jobs, que valorizava profundamente o design gráfico e industrial, procurou sempre equilibrar beleza visual e usabilidade. Cada detalhe, desde a suavidade dos dispositivos até à fluidez das animações, reflete esta união. Mas o sucesso dos produtos da Apple vai além de um design visualmente agradável; ele é fruto de um foco constante nas necessidades dos utilizadores e na simplificação das suas experiências. A integração entre o design gráfico, de interação e industrial revolucionou a indústria tecnológica.

Enquanto a Apple exemplifica a fusão de diferentes vertentes no setor tecnológico, também no setor público o design centrado no humano gera transformações. O Programa Simplex+, do governo português, é um exemplo. Criado para combater a burocracia e melhorar a eficiência dos serviços do Estado, o Simplex+ colocou o cidadão no centro da mudança. Através da digitalização de processos como o Cartão do Cidadão e o Portal do Cidadão, simplificou-se o acesso a serviços como a renovação de documentos ou a submissão de impostos. Estas inovações reduziram drasticamente a necessidade de deslocações às repartições públicas, mostrando como o service design pode resolver problemas e melhorar a experiência dos utilizadores.

No entanto, esta expansão do design só é eficaz quando mantemos o foco no fator humano. A empatia – a capacidade de se colocar no lugar do outro – é a base de um design bem-sucedido, seja ao criar uma aplicação móvel ou ao desenvolver um serviço estratégico. Os designers são, no fundo, solucionadores de problemas, e os problemas que resolvem são quase sempre problemas humanos.

Como aplicar este princípio de empatia em diferentes setores?

Na área da saúde, o design de interação tem sido crucial para criar sistemas de gestão hospitalar mais intuitivos, como plataformas que facilitam a marcação de consultas e a comunicação entre médicos e pacientes. A aplicação SNS 24, por exemplo, permite aos cidadãos acederem a serviços de saúde online, como teleconsultas e renovação de receitas, reduzindo a burocracia e melhorando a experiência dos utentes.

Outro setor onde o design centrado no utilizador tem tido impacto é a banca. Com o crescimento dos bancos digitais, as empresas investiram em interfaces mais simples, transparentes e intuitivas, reduzindo a fricção em processos bancários. O ActivoBank, em Portugal, é um exemplo de como uma interface clara e eficiente pode oferecer uma experiência mais acessível e descomplicada, eliminando a necessidade de interações presenciais para a maioria dos serviços bancários.

Estes exemplos mostram que, em qualquer setor, a compreensão profunda do utilizador e a colaboração entre diferentes vertentes de design são essenciais para criar soluções eficazes. Um bom designer, independentemente da sua especialização, não pode ignorar a importância de compreender o comportamento humano, de testar soluções com base no feedback dos utilizadores e de colaborar com outros profissionais para criar resultados integrados. O objetivo final do design, seja ele gráfico, de interação ou estratégico, é sempre o mesmo: facilitar, inspirar e melhorar a experiência humana.

À medida que o campo do design se expande e se transforma, as oportunidades para os designers são cada vez maiores. Para prosperar neste cenário, os designers precisam de ser curiosos, inovadores e, acima de tudo, empáticos. A verdadeira revolução no design acontece quando conseguimos unir a estética, a funcionalidade e a estratégia, mantendo sempre o foco nas pessoas que servimos. O futuro do design pertence àqueles que conseguem ver além das suas disciplinas e criar soluções que inspiram e melhoram a vida de todos.

 

Artigo de opinião escrito por Gabriel Augusto.

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ebook DP posthor blog DO #FLAGvox | Da Resistência à Ação: Como o Design Thinking Humaniza a Transformação Digital

#FLAGvox | Da Resistência à Ação: Como o Design Thinking Humaniza a Transformação Digital

A adoção de tecnologias digitais para otimizar e facilitar o nosso trabalho, não é novidade: recordemos que o primeiro computador eletrónico digital (ENIAC) surgiu já lá vão mais de 75 anos. Então o que mudou? A velocidade da mudança, a “inteligência” e democratização das ferramentas. Vivemos hoje vários cenários do “Regresso ao Futuro” e adotamos novas tecnologias a um ritmo alucinante: o GPT 3.5, em apenas dois meses, conseguiu atingir 100 milhões de utilizadores ativos em todo o mundo, um feito que a Netflix demorou 10 anos a conquistar. Hoje temos “bots” que aprendem e respondem a dúvidas, óculos que criam realidades alternativas e ajudam a realizar operações cirúrgicas de elevada precisão, robôs humanoides que reforçam o staff de grandes indústrias, e temos computadores quânticos, que realizam cálculos 47 anos mais rápido do que um supercomputador.

 

A transição digital tornou-se inevitável e uma prioridade estratégica para os gestores de negócio: segundo a European Marketing Confederation, para este ano, os gestores de marketing estabeleceram a digitalização, implementação de martech e adoção de ferramentas de inteligência artificial, como o top das prioridades estratégicas. A digitalização acarreta várias oportunidades para as grandes, mas especialmente, para as PMEs: permite aceder a novos mercados; testar a viabilidade de novos negócios, a baixo custo; melhorar a experiência do cliente, através de informação em tempo real sobre os seus hábitos, gostos e desejos; antecipar cenários e tomar decisões mais fundamentadas; automatizar processos e, por isso, reduzir custos, entre outras.

Parece tudo fantástico, mas… quem por aí, perante o ritmo frenético de surgimento de novas tecnologias e ferramentas, todos os dias, se sente como o David arrastado pela avalanche de Golias? As oportunidades são muitas, mas os desafios também: este ano tive a oportunidade de participar em alguns eventos sobre transição digital nas PMEs, onde os participantes, fundadores e gestores de PMEs, quando questionados sobre os principais desafios sentidos neste processo de digitalização, nomearam como principais problemas: a resistência à mudança, a falta de literacia digital, a rapidez da mudança e excesso de ferramentas e, aquele que é muitas vezes mascarado como mau feitio, o medo dos colabores de serem substituídos.

Por outro lado, ainda temos as armadilhas onde caímos vislumbrados por todas estas novidades: começamos a integrar tecnologia, sem antes arrumarmos a casa! Sem sabermos qual é a nossa proposta de valor, sem conhecermos a jornada do cliente, as emoções, necessidades, dores e motivações das pessoas. Sabem o que é que os Google Glass e a TV 3D têm em comum? Falharam. Mas porquê? Tecnologia em primeiro, e depois as pessoas. Os Google Glass, para além de revelarem vários problemas de privacidade dos dados e imagens das pessoas, não conseguiram explicar a sua mais-valia, nem a necessidade a que davam resposta. O televisor 3D funcionava perfeitamente bem, o problema é que os fabricantes descuraram um dos pontos essenciais da jornada de experiência, os óculos 3D, que causavam desconforto ocular aos utilizadores. Estas soluções, e tantas outras inovações digitais, falharam pela mesma razão: falta de orientação para as pessoas. E é aqui que a abordagem de Design Thinking, pode ajudar.

O Design Thinking, também conhecido como Human-Centered Design Thinking surge como uma abordagem de resolução de problemas complexos, cujo diferencial é o facto de tudo começar com as pessoas, mais propriamente com a descoberta e compreensão profunda das suas necessidades, comportamentos e contextos.

Aplicando os preceitos do pensamento de design, o processo de transição digital deverá começar pelo levantamento e compreensão das necessidades e dores do sistema de pessoas impactado por estas mudanças: entenda-se por pessoas todos os stakeholders, sejam os acionistas (que irão suportar os custos), sejam os clientes (que irão usufruir dos resultados), sejam os fornecedores (com os quais podemos estabelecer parcerias), sejam, especialmente, os colaboradores, cujo dia-a-dia e forma de trabalhar será profundamente impactada pela introdução destas tecnologias.

Todas as mudanças são desconfortáveis, todos nós gostamos de conforto e previsibilidade. E tudo bem, é saudável termos momentos de estabilidade. No entanto, por vezes, deixamo-nos levar pela “máquina de lavar dos dias”, e vamos estagnando…se juntarmos a isto estruturas e culturas organizacionais muito verticais e com um estilo de liderança e comunicação fechado, temos a fórmula para uma mudança resistente. Começar este processo de transição por envolver as pessoas, dando-lhes voz, num ambiente de confiança e colaboração (esta parte é muito importante e implica mudar as entranhas da cultura organizacional), permite ir partindo essa rigidez, gerar recetividade e entusiasmo nas pessoas, e acima de tudo, estabelecer uma comunicação empática e transparente, onde as verdadeiras razões da resistência (e dos medos) são expostas e, por isso, passíveis de resolver, pela raiz. Para além da empatia e colaboração, o Design Thinking revela outros pilares de mindset que apoiam os processos de mudança, como a confiança criativa, experimentação e iteração contínua. Num contexto onde existe liberdade para experimentar e errar, as pessoas tendem a ser mais proativas na procura de alternativas para melhorar os processos, estando mais confortáveis em ambientes ambíguos e de mudança. Criar espaço para a realização de experimentos (mesmo que pequenos) e empoderar os colaboradores com (auto) confiança criativa promove um ambiente onde a experimentação e iteração rápida de soluções fazem parte da forma de trabalhar.

Assim sendo, em qualquer processo de transição, recomendo que se comece por observar as pessoas, os seus comportamentos e as suas rotinas de trabalho e por ouvir essas pessoas, com “olhos e ouvidos” de investigador, procurando descobrir as dores e a compreensão das mesmas. Criem a oportunidade para conversas francas, em segurança, onde exista espaço para a partilha sem julgamento. Por vezes ajuda, envolver um profissional externo, imparcial e sem bagagem. E por fim, para fazer face ao Golias esmagador das ferramentas, sugiro que promovam projetos de experimentação e teste de algumas soluções, de forma rápida e focada na resposta a problemas específicos. Comecem pequeno, por prototipar uma parte da solução e submetê-la a um ciclo curto de feedback em ambiente controlado. Assim, garantimos que tudo começa com as pessoas, e não com a tecnologia. A tecnologia é importante, aliás até faz parte das tais lentes da inovação. No entanto, esta deve servir as pessoas e não o contrário.

 

Artigo de opinião escrito por Dina Oliveira.

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ebook DP posthor blog CM #FLAGvox | Rir é a melhor ferramenta!

#FLAGvox | Rir é a melhor ferramenta!

Num mundo onde a tecnologia começa a tornar-se a protagonista, o design de interação é agora o veículo que a faz brilhar, muito para além do que é visível. Vamos mergulhar neste oceano de inovações, com um toque de humor, claro, porque rir é a melhor ferramenta, especialmente quando estamos a um passo de sermos controlados pelas nossas torradeiras.

 

A Inteligência Artificial e a Siri, a Eva da tecnologia

Primeiro, vamos falar sobre a inteligência artificial. Lembra-se quando a Siri surgiu e todos nós nos encantámos com a ideia de ter uma assistente pessoal no bolso? Bem, a Siri agora é apenas a ponta do iceberg. A IA está a evoluir de forma tão imediata que, em breve, ela não só nos vai lembrar de beber água, mas também sugerir qual água beber (com base nas nossas análises a que também tem acesso misteriosamente).

A verdade é que, atualmente, aplicações como o Google Maps e o Waze, que são essenciais para tantos no dia a dia, já nos ajudam a optar pelas rotas mais rápidas, avisando-nos sobre os acidentes ou condições da estrada e evitando, assim, engarrafamentos e maiores constrangimentos na viagem.

Neste caso o design é essencial e contribui para uma experiência mais intuitiva com uma comunicação simples e direta, uma vez que os elementos de distração na estrada devem ser minimizados.

Realidade Virtual e Realidade Aumentada: Quando a Realidade não é suficiente

A realidade virtual e a realidade aumentada estão a transformar as nossas vidas de uma forma que nem sabíamos ser possível. Com a RV, pode viajar para qualquer lugar do mundo sem sair do sofá, o que é ótimo, especialmente considerando os preços das viagens. “Viajar até Paris fica muito caro? Não se preocupe! Coloque os nossos óculos RV e suba a Torre Eiffel enquanto o seu gato destrói os cortinados e atira tudo ao chão.”

Nos EUA, por exemplo, já existem laboratórios, como a Osso VR, criados para que cirurgiões pratiquem procedimentos complexos de forma mais realista antes de os aplicarem em pacientes reais.

Já a RA transforma as nossas rotinas em verdadeiras aventuras. Já pensou em sair para ir correr e ver dragões a voar à sua volta? Parece divertido, até perceber que a padaria da esquina agora é uma fortaleza medieval e a sua missão é derrotar um troll para comprar a sua carcaça.

Por outro, voltando ao campo da saúde, esta tecnologia é usada, atualmente, para fornecer imagens 3D de órgãos e estruturas anatómicas durantes as cirurgias. É o caso da Microsoft HoloLens.

Aqui o design trabalha no desenvolvimento dessas imagens, em conjunto com a IA, e está também a contribuir, com grande peso, para o sistema de saúde a nível global.

Interfaces de Voz: Porque digitar é coisa do passado

As interfaces de voz estão a ficar tão boas que em breve conversaremos com os nossos dispositivos mais do que com os nossos amigos. “Alexa, como faço para terminar uma relação?” e “Google, por que é que o meu cão está a olhar para mim como se eu fosse um frango assado?” são perguntas que já estão na ponta da língua.

Vendo pelo lado positivo, é possível agora ir a um museu que utiliza interfaces de voz para o esclarecer em qualquer questão relacionada com o que está a ver e, até, disponibilizar descrições detalhadas sobre as peças para uma maior inclusão e acessibilidade.

O design tem aqui protagonismo no conteúdo modular disponibilizado pela interface com diferentes níveis de detalhe.

Wearable Devices: A moda da tecnologia

Os wearables estão cada vez mais populares. Roupas que vigiam a sua saúde, óculos que tiram fotos e relógios que o lembram de respirar (como se nos esquecêssemos). Em breve, até as nossas meias vão-nos lembrar de esticar as pernas e mexer os dedos dos pés.

Exemplo disso é o Oura Ring, um anel inteligente para monitoramento de saúde que usa feedback tátil e visual na app integrada para informar o utilizador sobre os seus níveis de atividade ou sono, sem que seja necessário olhar para um ecrã.

A relação entre design e wearables envolve o equilíbrio entre funcionalidade, conforto, estética e usabilidade.
Estes dispositivos precisam de ser eficientes tecnologicamente, confortáveis para o uso diário e, ao mesmo tempo, esteticamente agradáveis para serem usados como parte da vida quotidiana.
O design não é apenas sobre como eles funcionam, mas também sobre como se adaptam à vida e ao corpo humano de forma orgânica e significativa.

Conclusão: Rir é mesmo a melhor ferramenta

O design de interação está a avançar a passos largos, trazendo inovações que prometem transformar a nossa vida quotidiana numa série de momentos surpreendentes e, muitas vezes, surreais. Enquanto navegamos por este mar da tecnologia, é importante lembrarmo-nos de manter o bom humor e abraçar as mudanças com um sorriso (ou talvez uma gargalhada ocasional).

Ao designer cabe a tarefa de compreender o utilizador e as suas necessidades, tornando a sua experiência mais confortável e agradável.

Então, da próxima vez que o seu assistente virtual sugerir uma meditação ou quando o seu relógio o avisar que está sentado há muito tempo, lembre-se que o design vai estar lá para o apoiar e sorria. Afinal, estamos a viver no futuro e, convenhamos que, o futuro é um lugar bastante divertido!

 

Artigo de opinião escrito por Constança Mascarenhas.

Este artigo de opinião faz parte do eBook FLAG “Design em Perspetiva – As Múltiplas Facetas do Design” que reúne reflexões e ensaios de 14 profissionais que partilham as suas perspetivas sobre o papel do design na sociedade atual e futura.

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